
Esta exposição nasce do reconhecimento de uma trajetória singular na arte brasileira. José Antonio da Silva, lavrador e autodidata, transformou sua vivência no interior paulista em uma obra de forte identidade, marcada pela liberdade formal, pela intensidade cromática e pela capacidade de narrar o cotidiano com autenticidade. Sua pintura, associada à arte naïf ou primitivista, não se constrói a partir de regras acadêmicas, mas de uma percepção direta do mundo — sensível, espontânea e profundamente enraizada na cultura popular.
Mais do que registrar cenas do campo, festas e paisagens, Silva construiu uma leitura visual do Brasil interiorano, tornando-se um cronista de seu tempo. Sua obra ultrapassou fronteiras e consolidou-se como referência internacional, ao mesmo tempo em que fincou raízes definitivas em São José do Rio Preto — cidade que abriga parte essencial de sua história e de sua produção artística.
Raízes Vivas propõe um olhar sobre a permanência desse legado. Ao reunir artistas que dialogam com a linguagem, os temas e a essência da obra de Silva, a exposição evidencia que a arte primitivista não pertence ao passado — ela se mantém viva, em constante transformação, atravessando gerações e se reinventando em novos contextos.
A curadoria de Kedson Barbero e Romildo Sant’Anna estrutura a mostra a partir dessa ideia de continuidade. De um lado, o olhar técnico voltado à preservação do patrimônio cultural; de outro, a leitura crítica e historiográfica que reconhece a profundidade estética da arte naïf. Juntas, essas perspectivas constroem uma narrativa que valoriza tanto a origem quanto os desdobramentos dessa produção artística.
A exposição também se configura como um gesto de valorização territorial. Ao reafirmar São José do Rio Preto como um dos principais polos da arte primitivista no Brasil, reconhece-se não apenas a importância de Silva, mas também de todos aqueles que, direta ou indiretamente, deram continuidade a essa linguagem.
Mais do que uma homenagem, “Raízes Vivas” é um convite à reflexão: sobre memória, identidade e pertencimento. Sobre como a arte, mesmo nascida da simplicidade, pode alcançar dimensão universal. E, sobretudo, sobre como as raízes culturais, quando preservadas e cultivadas, permanecem vivas — pulsando no tempo e no olhar de cada artista aqui presente.
Realização: Acirp, através do Núcleo de Economia Criativa e Shopping Iguatemi