Na economia, nenhuma curva de crescimento é neutra quando olhamos quem está por trás dos números. Entre gráficos e projeções, existe uma força ainda subdimensionada, embora cada vez mais presente na sustentação do PIB, da renda e do consumo local: as mulheres que empreendem. São elas que transformam habilidades em ofício, intuição em estratégia, múltiplas jornadas em resultado mensurável; que abrem empresas em cenários adversos, sustentam famílias com a própria receita, geram empregos em bairros periféricos, inovam em segmentos tradicionais e redesenham, silenciosamente, a lógica de decisão dentro do mercado.
Quando observamos mais de perto a dinâmica econômica de cidades como Rio Preto, percebemos que o empreendedorismo feminino deixou de ser exceção elegante para se tornar variável estrutural. Ele aparece na formalização crescente de pequenos negócios, na sofisticação de serviços, na qualificação da experiência do consumidor, na organização de redes de fornecimento, na economia de cuidados que sustenta quem cuida e trabalha, e no ecossistema de inovação que se alimenta justamente da diversidade de repertórios.
Ainda assim, a trajetória feminina no empreendedorismo continua marcada por assimetrias que não são abstratas. Há, de um lado, indicadores que revelam o avanço; de outro, um conjunto de barreiras culturais, institucionais e emocionais que seguem impondo custos adicionais àquelas que decidem abrir, manter e fazer crescer um negócio. Quando uma empreendedora precisa provar duas vezes o mesmo resultado para ser levada a sério, não é apenas uma injustiça simbólica; é ineficiência econômica, é talento desperdiçado, é inovação adiada. Em uma economia que exige produtividade, criatividade e velocidade de resposta, subestimar a liderança feminina é insistir em um modelo de desenvolvimento incompleto.
É neste contexto que espaços de articulação, formação e visibilidade deixam de ser eventos pontuais e passam a ser instrumentos concretos de política econômica setorial. Quando criamos ambientes em que mulheres trocam métodos, números, erros e acertos em pé de igualdade, fortalecemos não apenas histórias individuais; fortalecemos cadeias inteiras de valor. Quando conectamos empreendedoras de alimentação, varejo, serviços, tecnologia, finanças e economia criativa, geramos circulação de contratos, parcerias, indicações, mentorias, informação qualificada; tudo aquilo que reduz risco, amplia competitividade e encurta o caminho entre a ideia e o faturamento sustentável.
O “Arena Mulher 2025 – Mulheres em Movimento” nasce exatamente deste entendimento, não como celebração decorativa, mas como resposta estruturada de uma entidade empresarial que enxerga, nos negócios liderados por mulheres, um vetor essencial de crescimento para Rio Preto e região. Com o mote “Inovação e Criatividade: transformando desafios em oportunidades”, o encontro que realizaremos no dia 18 de novembro, no Auditório da Acirp, foi desenhado para percorrer um caminho que considero inadiável; sair do diagnóstico repetido sobre as dificuldades da mulher empreendedora e avançar para a entrega prática de ferramentas, conexões e repertórios que tornam essa jornada mais sólida.
Não se trata apenas de ouvir histórias inspiradoras, ainda que elas sejam fundamentais; trata-se de traduzir essas narrativas em referências técnicas, em modelos possíveis, em caminhos replicáveis para quem está começando com poucos recursos, para quem deseja escalar um negócio já consolidado, para quem precisa reorganizar sua gestão depois de um período de crise.
A construção coletiva deste evento, assinada pelo Conselho da Mulher Empresária e Empreendedora e pelo Núcleo Acirp Norte de Mulheres Empreendedoras, parte de uma convicção simples; quando mulheres se encontram em um ambiente preparado para ouvi-las com seriedade, sem condescendência, com lastro técnico e abertura genuína para a troca, algo se reorganiza na percepção de capacidade. Por isso, reuniremos lideranças que já provaram, na prática, que é possível crescer em mercados competitivos mantendo coerência com seus valores, e convidamos especialistas que trazem para a sala temas que impactam diretamente o desempenho das empresas, como posicionamento, tecnologia, finanças, comunicação e uso inteligente de dados.
As arenas de aprendizado foram pensadas para que cada participante possa escolher o que faz mais sentido para a realidade do seu negócio, construindo uma trilha própria entre conteúdo, prática e reflexão; o Hot Seat, conduzido com olhar atento e orientação objetiva, é um gesto simbólico e concreto ao mesmo tempo, ao colocar
empreendedoras e suas marcas no centro da conversa, oferecendo devolutivas que encurtam o caminho entre o desejo de crescer e as decisões que de fato levam ao crescimento.
Se queremos uma Rio Preto mais inovadora, mais competitiva, mais justa na distribuição das oportunidades, precisamos garantir que as mulheres que já estão movendo essa roda encontrem menos paredes invisíveis e mais portas abertas. O Arena Mulher 2025 é um desses passos; um espaço para ouvir, aprender, confrontar crenças limitantes, ajustar rotas e, sobretudo, reafirmar que a presença feminina nos negócios não é concessão; é inteligência econômica. Venha somar forças conosco nesta terça-feira para, juntas, transformar reconhecimento em estrutura, narrativa em oportunidade concreta, entusiasmo pontual em política contínua de apoio.
Jordana Castilho
Diretora do Conselho da Mulher Empresária e Empreendedora da Acirp
Conteúdo original publicado no dia 16/11/2025 na sessão “Radar Econômico” do jornal Diário da Região