Confiança do consumidor brasileiro retoma tendência de alta e sobe 3 pontos em julho | ACIRP


27/07/2018

Confiança do consumidor brasileiro retoma tendência de alta e sobe 3 pontos em julho

O Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) marcou 77 pontos em julho, três a mais sobre junho (74). “Embora ainda esteja no campo negativo (abaixo de 100 pontos), a confiança do consumidor brasileiro retoma tendência de alta depois da dissipação dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros”, comenta Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Ele acrescenta que a tendência de alta é observada especialmente quando se olha o comparativo anual ― há um ano, o indicador registrou 14 pontos a menos (63). “A elevação se deve à melhora da conjuntura econômica brasileira na passagem de um ano para outro”, diz Solimeo.   

O INC varia entre zero e 200 pontos; o intervalo de zero a 100 é o campo do pessimismo e, de 100 a 200, o do otimismo. A pesquisa feita entre 1º e 15 de julho em todas as regiões brasileiras, com margem de erro de três pontos.

“A tendência é de que a confiança se recupere gradativamente, mas de forma lenta. A incerteza política é um fator que poderá desacelerar esse movimento”, avalia o economista.  

Bolsa Família

A alta da confiança no Brasil foi puxada pelas regiões Nordeste e Sul do País. Na primeira, o INC saltou 11 pontos na passagem de junho (69) para julho (80) em razão do reajuste de 5,7% do Bolsa Família ― a maior parcela de beneficiados está no Nordeste. No ano passado, o programa não foi reajustado. “Além disso, as chuvas têm afastado o risco de seca na região”, comenta Solimeo. Em julho de 2017, a confiança dos nordestinos estava em 72 pontos.    

O aumento do Bolsa Família também contribuiu para o avanço de seis pontos do INC da classe DE (73 em junho e 79 em julho). É a classe social menos pessimista atualmente. Há um ano, ela registrou 63 pontos.

No Sul, o INC cresceu 10 pontos entre junho (77) e julho (87) “em função da agricultura: a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a quebra da safra argentina têm aumentado a demanda pela soja brasileira”, explica o economista da ACSP. Trata-se da região menos pessimista. Há um ano, ela marcou 49 pontos.

Demais regiões e classes

O INC do Sudeste ficou estável (73 pontos em junho e 72 em julho) porque não houve fatores internos ou externos que afetaram a confiança local. Há um ano, a região marcou 63 pontos. No grupo de regiões Norte/Centro-Oeste a confiança caiu de 84 pontos em junho para 76 em julho, pois perdura o problema do escoamento da safra em decorrência das incertezas em relação ao frete. Há 12 meses, o INC da região foi de 63 pontos.

Na classe C o indicador oscilou dentro da margem de erro na passagem de junho (75) para julho (77); em julho de 2017 marcou 12 pontos a menos. Por fim, o INC da classe AB foi de 70 pontos em julho (mesmo de junho), contra 57 há um ano.  

“Em síntese, em relação ao ano passado, as regiões e classes sociais apresentaram melhora nítida porque os juros estão bem menores e, os prazos, maiores, o que estimula o consumo. A situação conjuntural da economia está relativamente melhor”, finaliza Marcel Solimeo.  

Metodologia

O INC é elaborado pelo Instituto Ipsos a partir de 1.200 entrevistas pessoais e domiciliares, realizadas mensalmente em 72 municípios no Brasil inteiro, com amostra probabilística, com cota no último estágio de seleção e margem de erro de três pontos percentuais, representativa da população brasileira de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2014).

Histórico INC 2018

Janeiro: 77

Fevereiro: 77

Março: 75

Abril: 74

Maio: 72

Junho: 74

Julho: 77

 

Veja na íntegra: Índice Nacional de Confiança (INC) – julho de 2018

 

FONTE: ACSP