5 novidades lançadas na Couromoda 2018 para o varejo | ACIRP


22/01/2018

5 novidades lançadas na Couromoda 2018 para o varejo

A tecnologia aplicada à produção e levada até a loja está deixando de ser tendência e se torna cada vez mais realidade no setor calçadista brasileiro.

E isso inclui o conceito alemão de indústria 4.0, que integra processos com máquinas inteligentes e chega até o varejo. Ainda incipiente, ele começa a ganhar força por aqui, impulsionado pelo projeto Future Footwear, da Abicalçados.

Na 45ª edição da Couromoda, encerrada na quinta-feira (18/01), não somente os grandes, mas também os pequenos negócios, mostraram que o setor, que já passou por momentos complicados, começa a se recuperar por meio da inovação.

Do espelho interativo na loja aos calçados com alguma inovação embarcada, o mercado coloca em prática a necessidade de reinvenção constante.

"O consumidor conectado exige essa sinergia, e isso força a cadeia a adotar um novo modelo de relações comerciais”, afirma Jeferson Santos, diretor geral da Couromoda.

Com o melhor ânimo para investimentos, a perspectiva é de aumento de 35% no volume de negócios fechados durante a feira, afirma.

Para 2018, a indústria espera repetir o ritmo de crescimento da produção de 2017, de 3%, segundo projeções da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).

Já o comércio calçadista, que cresceu 4,9% no ano passado em faturamento mesmo amargando queda de 8,7% em volumes, também deve crescer 3% na projeção da Ablac (Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos).

O traço que marcou 2017 e deve se repetir este ano diz respeito ao comportamento dos consumidores, que entraram nas lojas mais decididos –o que reduziu compra por impulso.

“Pelo menos 43% da decisão de compra é feita em casa, então agora mais do que nunca é preciso inovar para atraí-lo”, afirma Santos, diretor da Couromoda.

A seguir, alguns exemplos do que as marcas têm feito não só para encantar, mas para fidelizar a clientela:

1 – ESPELHO, ESPELHO MEU E ETC.

Quem entra em uma loja Schutz (uma das marcas da Arezzo & Co.) e encontra um sapato ou uma bolsa com o aviso scan me (ou escaneie-me), vai se surpreender com uma nova experiência de compra -e um serviço de curadoria.

Ao aproximar o item de um espelho interativo com tecnologia RFID, é possível visualizar um conteúdo diversificado de looks estilosos que combinam com o acessório escolhido.

A novidade está disponível desde dezembro nas lojas Schutz do Shopping Iguatemi e da Rua Oscar Freire, e deve se espalhar por pelo menos 20 franquias da marca até o fim de 2018, segundo a área  comercial.

Outras novidades da loja são o checkout móvel, que elimina a necessidade de ir até o caixa pagar a compra com cartão, e o sistema integrado de estoque online, que possibilita consulta a todo o catálogo de produtos em painéis touchscreen, em tempo real. A marca aposta em hologramas com projeções 3D dos produtos que estão em pré-venda na instalação.

2-SAPATOS COM SISTEMA DE MEMÓRIA? SÓ NA LOJA OMNICHANNEL

Imagine um sapato confeccionado em látex natural antibactericida, com densidade extra macia e uma "palmilha relax”, com espuma antitértmica e de toque aveludado...E mais um diferencial: um cabedal com “sistema de memória” que faz com que ele volte ao formato original, sem deformações nem desconforto. Esse é o chamariz da com.FY (ou flexible for you), nova linha de calçados femininos da Dumond, empresa do Grupo Paquetá – The Shoe Company, que será lançada em abril (R$ 229).

Essa e a outra marca do grupo, a Capodarte -que agora passa a apostar também nos calçados masculinos -implementaram o Projeto Multimix, no fim de 2017. Baseado no modelo omnichannel, o sistema, que por enquanto está ativo em seis lojas próprias das duas marcas, permite consultar o catálogo de produtos em um terminal para escolher e comprar itens não disponíveis na loja física. A entrega é feita na casa do cliente e, diferentemente do e-commerce, a compra é aprovada na hora.

Carlos Potin, diretor comercial do grupo, diz que o faturamento das lojas aumentou 4% com o sistema, que impactou positivamente a gestão de estoque. “Ou seja, a cada cem clientes, quatro não saíram frustradas de sua experiência de compra por não encontrar o que queriam”, diz. A previsão é levar o Multimix às 100 franquias do grupo ao longo de 2018.

3 – FIBRA ÓTICA, ANTIQUEDA, ANTICHULÉ E... GENIUS NO PÉ

Nada combina mais com um nativo digital do que acessórios tecnológicos – que o digam os calçados infantis com led, a grande mania dos pequenos nos últimos dois anos. Mas a novidade da vez, trazida pela Kidy, são os tênis para “trabalhar os sentidos” da criança –como o Optik, com cabedal de fibra ótica. Munido de entrada USB para acoplar um carregador, o tênis irradia luzes coloridas por dentro da trama na caminhada (R$ 249). Só não vale molhar...

Na outra linha, a Touch Fun, dá para brincar no próprio tênis, que vem com um joguinho inspirado no Genius, um clássico dos anos 80. Clicados, os botõezinhos na frente do cabedal reproduzem até os barulhinhos familiares da troca de sequência de cores, já que o calçado tem um mini alto-falante embutido (R$ 179).

Outras inovações de ambos são a tecnologia do equilíbrio (que promete reduzir as quedas em 40%), e a Respi-tech, que faz os calçados “respirarem” e não causarem mau odor.

O foco em inovação e tecnologia aliado ao conforto e saúde nos calçados infantis, como o tênis com realidade aumentada ou o que "cresce" com o pé da criança, novidades dos anos anteriores, levou a Kidy a uma alta de 30% nas exportações em 2017. "Todos os nossos produtos têm alguma tecnologia embarcada", diz André Henz, gerente de marketing e produtos da marca.

4 – CONFORTÁVEL SEM PERDER O GLAMOUR. E IMPRESSO EM 3D

Ao observar que as mulheres que saíam dos escritórios da Avenida Paulista de saltão quase sempre calçavam sapatilhas para enfrentar a volta para casa, o gaúcho Mário Hugo Mossman e sua esposa Leonilda decidiram criar uma linha de calçados extra-confortáveis, porém glamurosos para esse público. Nascia aí a Rio de Luz, hoje com cinco anos de atividades.

Após ser desligado da área de produtos de uma grande fabricante de artigos esportivos, Mossman decidiu empreender, e  desenvolveu uma linha de calçados femininos “meio casual, meio formal”, fabricados em couro de cabra e no estilo sportswear. “É para usar bem vestida”, conforme gosta de dizer.

Mas, como inovar é preciso, a grande novidade apresentada pela Rio de Luz na Couromoda são os tênis impressos em 3D com EVA injetável (um tipo de borracha microporosa e macia). A máquina, que custou US$ 12 mil, precisa de três turnos de trabalho para produzir 30 pares.

“São calçados exclusivos, personalizados e com apelo de moda. Por isso só produzimos o que vai girar na loja”, diz.

E tem dado certo: a pequena fábrica de Campo Bom (RS) tem 65 funcionários e fatura US$ 10 milhões/ano vendendo pelo e-commerce e no varejo de luxo.

“Nossos sapatos já estão em grandes shoppings e butiques (do bairro paulistano) dos Jardins”, afirma Mossman, cujas criações têm preço médio de R$ 289.

5 – NANOTECNOLOGIA QUE VEM DO NINHO

Um dos grandes exemplos de inovação no setor calçadista, o segmento infantil é um dos que trazem mais novidades. E uma delas diz adeus aos desagradáveis tênis molhados, como a linha Drop, da pioneira Calçados Bibi (R$ 151, em média). Com tecido desenvolvido por nanotecnologia, o calçado repele água e suor, “transpirando” por inteiro – inclusive pela sola.

Outra novidade é a linha Display (R$ 299, em média), uma releitura dos modelos com led. Em uma espécie de “tela” no cabedal, que pode ser personalizada pelo download do programa no computador, a criança pode escrever frases ou fazer desenhos diferentes em cada pé.

O movimento das imagens pode ser alterado com um botão na lateral do calçado, e o tênis pode ser conectado por um cabo USB, que também carrega a bateria.

Sem revelar valores, Marlin Kolrausch, presidente da Bibi diz que esses produtos são desenvolvidos no “ninho de inovação” da quase setentona companhia –um investimento constante que prosseguirá em 2018. Com esses lançamentos, ele prevê crescimento de 25% nas vendas das franquias e 10% da própria indústria.
 

FONTE: Diário do Comércio